Perder peso para toda vida e ganhar saúde

//Perder peso para toda vida e ganhar saúde

Fazer dieta não significa baixar de peso. Não é verdade, mesmo que quem o diga seja alguém muito chegado. Não, fazer dieta trata de alimentação.

O único objectivo da dieta tradicional é levar o seu corpo a comer menos do que habitualmente, sem o obrigar a queimar mais calorias. Este desequilíbrio na equação cardinal à qual voltaremos mais tarde, significa que a sua nova dieta só lhe trará sofrimento com a alimentação que fizer durante uma semana ou duas, perdendo um par de quilos e recuperando-os logo em dois dias, à medida que o seu corpo tenta adaptar-se às privações sofridas durante tanto tempo.

Esqueça-se dos seus planos para dietas. Esqueça-se de todas essas ideias sobre dietas por alguns minutos e concentre-se somente nisto:

Se se quer envolver a sério num programa eficaz para perda permanente de peso, através de técnicas salutares, que não o obriguem a dar diariamente 20 voltas ao quarteirão, precisa compreender os dois princípios basilares deste programa.

Primeiro Princípio Para Perder Peso

UM – Para perder peso, tem que consumir menos calorias do que aquelas que consegue queimar (ou queimar mais calorias do que aquelas que consome) numa base diária consistente.

Este primeiro princípio é básico, e é o corolário de todas as dietas (ou começar a comer menos, fazendo exercício para queimar mais calorias ou fazendo uma combinação de ambos). Algumas contas básicas explicarão isto facilmente.

  • 1 quilograma de gordura = 11.000 calorias.
  • Calorias perdidas = calorias ingeridas – calorias consumidas

Assim, se quisesse perder 1 kg por semana, teria de se assegurar que perderia mais 1500 calorias diariamente ou seja, deveria ingerir menos 1500 calorias por dia.

Nada mais simples, não é?

No entanto, isto só nos leva a analisar um dos lados da fórmula da perda de peso – reduzindo a quantidade de calorias que consome diariamente. As dietas drásticas levam esta operação ao extremo, não compreendendo as quantidades brutais de tensão que colocam no seu corpo ao utilizar tais métodos exagerados.

A meio deste processo de dieta ou quando se consegue atingir o peso ideal, o seu corpo, como não está preparado para funcionar com um peso mais reduzido, reagirá imediatamente forçando-o a comer mais.

E qual é o resultado? Vai acabar por recuperar a maioria ou mesmo todo o peso perdido. Em alguns casos, poderá até ganhar mais peso do que tinha antes.

Quando a dieta tradicional (isto é a alimentação) não funciona, a alternativa passa muitas vezes pelo exercício para alterar o outro lado da equação, procurando obter outros hábitos que procedam à queima de calorias adicionais.

O Problema com o Exercício

Atente que o exercício tem dois sérios problemas relacionados.

Pela evolução natural, os nossos corpos (em especial o nosso metabolismo) estão treinados para responder muito melhor ao exercício do dia a dia do que à atividade forçada. Dizendo doutro modo, se o seu trabalho implicar alguma atividade física, ou se for muito dado a um desporto fisicamente exigente (jogar às cartas ou ao chinquilho não contam – pense por exemplo em futebol, no tênis ou em voleibol) e estivesse disposto à sua prática várias vezes por semana (ou mesmo diariamente), isso sim, seria perfeito.

Contudo, muita gente passa o dia sentada à secretária no emprego (ou na universidade), e não nos podemos muitas vezes dar ao luxo de contar com estes desportos para arrancarmos logo com uma boa dose de exercício. Nestes casos, temos que nos voltar geralmente para atividades em ginásios ou de alguma forma para exercícios dentro de casa se quisermos queimar calorias.

Anote porém que esta é uma rotina psicologicamente forçada para o seu corpo. Pode começar a ver logo resultados positivos do seu esforço (uma vez perdi 2 kg. em três dias e 3,5 kg numa semana à custa de jogar pouco mais do que 45-60 minutos diários de futebol e comer um pouco menos do que o usual), mas o seu corpo não vai responder da mesma maneira quando se exercitar num ginásio como aconteceria se fizesse desporto ao ar livre. Se bem que a carga de treino para baixar de peso também possa ter outros objetivos definidos e específicos (como pretender aumentar a massa muscular e a força), quando se tratar de perder apenas peso, o exercício num ginásio é uma solução pior se comparada com o exercício feito naturalmente.

Por outro lado se pára de se exercitar, começa logo a inchar de imediato. O exercício regular requer geralmente que coma ligeiramente mais do que o habitual a fim de fornecer corretamente o seu corpo com nutrientes suficientes para as suas funções diárias. O nosso corpo torna-se familiarizado com este consumo mais elevado de calorias. Uma vez que pare de se exercitar, terá que controlar de imediato o seu desejo de ingestão de calorias (isto é uma desforra) senão começará de novo a ganhar peso. E se estiver a fazer uma carga adicional de treino para tonificar os seus músculos, criará volume e acabará por ficar em pior estado do que estava inicialmente.

Não lhe estou a dizer isto para o dissuadir de se exercitar, ou dizer que o exercício lhe é prejudicial.

Longe disso. O exercício deve ser, se possível, uma parte integrante da sua rotina diária. Existem incontáveis benefícios para a saúde, e em muitos casos o exercício é até mais importante do que a simples perda de peso.

Atenção que se estiver procurando emagrecer permanentemente, não se pode limitar somente à prática de exercício. Se conseguir fazer exercício naturalmente, ótimo. Se tiver que se esforçar para percorrer diariamente uma rotina nova de exercícios, então vai ter um problema.

O exercício não é um segredo mágico para a perda permanente de peso.

Em quase todas as dietas que conheço falta-lhes esta perspectiva. Enquanto os exercícios são a melhor maneira de equilibrar a equação e o exercício feito regularmente, tem além do mais, benefícios incontáveis independentemente da perda de peso, determinados exercícios a um certo nível não são muito melhores do que comer descontroladamente – no minuto em que parar, vai logo recuperar o peso que perdeu em metade do tempo.

Assim, uma vez mais, como poderemos perder peso definitivamente (peso que não regresse logo no momento em que pararmos de fazer o que fazíamos (alimentando-nos ou exercitando-nos)?

É aqui que entra o segundo princípio deste programa.

O Segundo Segredo para Perder Peso

DOIS – Para conseguir uma perda definitiva de peso, deverá conseguir fazer mudanças permanentes no seu metabolismo.

O seu metabolismo determina essencialmente quão rapidamente (ou lentamente) o seu corpo queima calorias. Se tiver um metabolismo naturalmente acelerado, consegue queimar mais calorias do que alguém que tenha um metabolismo lento. O reverso aplica-se também; se o seu metabolismo for lento, as suas necessidades diárias de ingestão de calorias é menor.

Nas lições seguintes direi exatamente como o nosso metabolismo trabalha, como evoluiu desde a época do homem das cavernas que caçava para viver, à da agricultura de subsistência, e como poderá fazer para controlar as várias etapas que lhe permitirão gradualmente fazer mudanças permanentes no seu metabolismo, impulsionando-as de modo a que possa queimar mais calorias diárias, sem ter necessidade de se exercitar (embora isso possa ajudar).

Há duas maneiras de acelerar o seu metabolismo

acelerar metabolismo

Pode fazer exercício, o que fará com que o seu corpo comece a queimar mais calorias (e que careça também de mais calorias). Este é um método a curto prazo e poderá ter efeitos devastadores no seu corpo se parar com o exercício.

Pode mudar os seus hábitos e começar a comer melhor e a ter cuidado com o que come. Esta é a solução mais segura, mais saudável e mais consistente para acelerar o seu metabolismo e reduzir o peso.

Esta é a aquela parte que mais resistência levanta a uma aceitação generalizada – como podem pequenas mudanças no como comer, o que e quando comer leva a perder peso?

A resposta reside no nosso primeiro princípio. Lembra-se da equação? Eu repito-a mais uma vez:

  • Calorias perdidas = calorias ingeridas – calorias consumidas

Agora, a melhor maneira de emagrecer consiste em fazer mudanças permanentes no seu estilo de vida de maneira a que:

  • Aumente a quantidade de calorias queimadas diariamente.
  • Reduza a quantidade de calorias que consumidas diariamente.
  • E faça simultaneamente estas alterações sem criar uma sensação esfaimada ao seu corpo.

Já lhe dissemos que para perder peso é necessário manter o equilíbrio da equação basilar. Contudo, antes que analisemos ambos os membros da equação, tem que compreender como os seus hábitos alimentares atuais estão a sabotar todos os seus esforços para o emagrecimento!

Seguidamente, direi com exatidão porque é que os seus hábitos atuais de alimentação são maus para sua saúde. Com efeito, eles são a verdadeira razão porque tem peso a mais hoje em dia!

“Os seus hábitos alimentares estão a prejudicar a sua saúde!”

Espero que neste artigo já tenha conseguido fazer-lhe compreender que tudo o que já ouviu sobre dietas e perder peso, deve assentar basicamente neste princípio fundamental:

  • A perda de peso definitiva é possível apenas através de uma mudança permanente no metabolismo do seu corpo.

Deixe-nos juntar a isto outro facto já mencionado anteriormente:

  • Os seus hábitos alimentares dificilmente lhe permitem que consiga emagrecer.

Esta é a verdade indesmentível deste programa de perda de peso. Se os seus hábitos alimentares forem a razão fundamental para que tenha excesso de peso, a única maneira de o reduzir com sucesso deve assentar em inverter drasticamente esses hábitos e assim poder realmente reduzir o seu peso.

Não é de mais repetir a equação basilar da perda de peso, para que a possa guardar no seu

subconsciente ao longo deste artigo:

  • Calorias perdidas = calorias ingeridas – calorias consumidas

Chamo basilar a esta equação, porque tudo o que aprenderá sobre perder peso, será sobre a mudança dos seus hábitos alimentares que sobrecarregam o seu metabolismo, aprendendo o que deve (e não deve) comer ou simplesmente sobre a aprendizagem de como os nossos corpos “estão programados” para conservar calorias (aquilo de que falamos largamente no artigo de hoje), pode ser resumido a esta simples fórmula.

Agora que isto está assente, vamos analisar como os nossos hábitos alimentares evoluíram e nos deram peso excessivo.

O que Darwin se esqueceu de nos dizer…

Para justificar isto, vou-lhe fazer um pouco de história sobre a teoria da evolução. Isto é muito interessante, especialmente porque me palpita que nunca encarou a evolução humana sob este prisma.

A sociedade humana evoluiu durante um longo período de tempo, muito longo. Durante este processo passamos de uma sociedade de caça – uma alimentação à base de muita carne, gordura animal e fruta (uma dieta elevada em proteínas), em que se era fisicamente muito ativo – para uma sociedade agrícola – em que a dieta era baseada em grãos (uma dieta baseada em hidratos de carbono) e para um estilo de vida relativamente inativo; uma mudança drástica em relação ao antecedente.

Isto só por si pode ser interpretado como sendo nefasto para nós – inatividade combinada com uma dieta elevada em hidratos de carbono faz com que se ganhe peso automaticamente. Desde que deixamos de ser tão ativos quanto antes, começamos a queimar menos calorias (desequilibrando assim um dos membros da equação). Como não conseguimos queimar todos os hidratos de carbono da nossa dieta, começaram a transformar-se em gorduras e assim começamos a ganhar peso.

Mas isto não é tudo. Esta alteração de padrões dietéticos não foi interpretada pelos metabolismos humanos como sendo uma mudança permanente – os padrões genéticos mais profundos não podem ser completamente mudados por fora. Em vez disso, durante este deslocamento gradual dos padrões alimentares milenares, o corpo humano interpretou esta alteração como se o fornecimento regular de alimentos baseados em proteínas (e frequentemente elevados em gordura) estava temporariamente indisponível, e consequentemente os nossos corpos baixaram automaticamente o seu metabolismo – tal como um predador pode retardá-lo para enfrentar os invernos e conservar a energia. A falta da fonte regular de alimentos tinha feito com que o corpo humano regressasse a um estado de semi-hibernação.

Estas alterações na evolução social causaram inadvertidamente não apenas um, mas dois desequilíbrios na equação basilar – os seres humanos tornaram-se menos ativos e os seus metabolismos reduziram-se; queimavam cada vez menos calorias.

Além disso, havia outra mudança nos hábitos alimentares que estava prestes a acontecer – foi quando comer se transformou cada vez mais numa atividade social, e à medida que a recolha e a preparação dos alimentos se transformou grandemente, passando a ser encarada como uma atividade intensiva na nova sociedade, reduzimos a frequência das refeições (e aumentamos a quantidade de alimentos por refeição como compensação). Isto fez com que o nosso metabolismo retardasse ainda mais – um sistema habituado a comer diversas vezes pequenas porções por dia interpretou esta nova rotina como um sinal de “falta do alimento” e começou a armazenar energia (isto é calorias) como uma medida “preventiva”. De fato, o desenvolvimento social e econômico tem conduzido geralmente o corpo humano a proceder ao armazenamento médio de calorias em vez de queimá-las.

2018-04-30T16:01:31+00:00 By |Emagrecer|0 Comments

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Estudante e amante sobre tudo relacionado a vida e estilo saudável

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